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domingo, 18 de outubro de 2009

Cálculo de calorias de ração para pet é impreciso, diz especialista

do New York Times

Por que não existem valores calóricos nos rótulos de embalagens de comida para animais? Quantas calorias um gato de 4,5kg deve comer?

"Não há valores calóricos nas embalagens de alimentos para animais domésticos [nos EUA] porque muitas comidas para esses animais não foram testadas quanto a sua digestibilidade e verdadeiro conteúdo por porção ou lata", disse Joseph Wakshlag, professor assistente de nutrição clínica da Cornell University College of Veterinary Medicine;

Os cálculos de valores calóricos são feitos de forma indireta, a maioria com base em uma série de deduções chamadas de equação de Atwater modificada, atribuída ao químico Wilbur Olin Atwater (1844-1907), que estudou a nutrição e o metabolismo humano.

Os resultados desses cálculos "podem ter uma margem de erro bastante ampla", disse Wakshlag. Por exemplo, o conteúdo de gordura de uma lata de alimento pode ser considerado como 5% do total, mas, na verdade, pode ter 7%, uma diferença relativamente grande em termos de energia disponível.

O gato típico precisa de algo entre 200 e 400 calorias por dia, dependendo do metabolismo e da atividade, disse Wakshlag. Porém, as necessidades reais de um gato em particular são melhor avaliadas ao verificar se ele mantém um peso normal para sua estrutura óssea. Se o gato é magro demais (sentem-se as costelas, sem cobertura de gordura) ou gordo demais (abdômen redondo, "cintura" invisível), a quantidade de comida pode ser ajustada gradualmente. Mudanças de peso inexplicáveis exigem uma visita ao veterinário.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O mundo contra o confinamento animal

Outro importante estado nos EUA proíbe o confinamento intensivo. No Brasil a campanha também avança

No final de 2008 o mundo acompanhou uma significativa conquista da Califórnia (EUA) com relação ao bem estar dos animais de produção. A Proposição 2 proibiu o confinamento intensivo reduzindo o sofrimento para cerca de 20 milhões de espécimes destinados ao consumo humano criados naquele território. A medida foi replicada por mais cinco estados do país.

A partir desta semana, graças a uma decisão unânime, porcos, vacas e galinhas poedeiras do estado de Michigan (EUA), terão espaço para ficar de pé, deitar, dar meia volta e estender seus membros. Trata-se de uma conquista expressiva em um dos maiores produtores mundiais de vitela e que tem mais de 10 milhões de galinhas poedeiras e 100 mil porcas gestantes criados em um sistema que sequer permite tais movimentos.

Com isso serão sete os estados norte-americanos que baniram as celas de gestação, cinco que não permitem mais o confinamento intensivo de vitelas e dois que proibiram as gaiolas em bateria para as galinhas poedeiras. Na lista estão Arizona, Florida, Maine, Colorado e Oregon. Em Michigan, os produtores deverão mudar a produção de vitelas em três anos, enquanto os produtores de porcas e galinhas poedeiras terão 10 anos para se adaptarem.

Na União Européia as gaiolas em bateria devem ser desativadas até 2012 e as celas de gestação até 2013. As celas para vitelas já foram proibidas.

Boas novas no Brasil
Com a desafiadora missão de mudar a realidade dos 80 milhões de galinhas poedeiras e 1.5 milhões de porcas em confinamento no Brasil, um dos maiores produtores mundiais, a Campanha Pelo Fim do Confinamento Intensivo Animal começa a dar os primeiros passos.

Representantes da Campanha têm se reunido com executivos das maiores redes de supermercado, que estão com os relatórios científicos sobre o tema e têm sido muito receptivos à possibilidade de fornecer produtos com menos crueldade. Marco Ciampi, presidente da ARCA Brasil, está bastante otimista: “Todos saem ganhando, os locais de venda terão sua imagem beneficiada e os consumidores podem adquirir produtos mais humanos e saudáveis”. Também estão sendo contatadas tradicionais produtoras de orgânicos.

Nos últimos mês a Campanha esteve presente em grandes eventos da área, entre eles, a Bio Brazil Fair 2009, maior feira nacional de orgânicos, o Simpósio Pernambucano Suinocultura e o Curso de Bem Estar Animal e Qualidade de Carne. A campanha foi amplamente divulgada nesses locais, além do estabelecimento de diálogos com diversos produtores aos quais foi sugerida a possibilidade de humanizar suas produções.

Na Bio Brazil Fair 2009, evento que contou com a presença do Presidente Lula, o gerente de campanha Guilherme Carvalho (veja abaixo), encontrou-se com Reinhold Stephanes, Ministro da Agricultura, que recebeu o material da campanha em mãos.

O selo Humane Certified, lançado junto com acampanha, é uma realidade e já tem dois certificados: o Grupo JD e a Korin Agropecuária. O primeiro teve reconhecida sua produção de bois e suínos para corte eo segundo de frango para corte. Se você não consegue deixar a carne de lado, consuma um produto mais responsável. Fique atento para esse logotipo!

Reforço para o time

Guilherme Carvalho, biólogo de Recife, é o novo integrante da equipe da Campanha Pelo Fim do Confinamento Intensivo Animal. Seu interesse pelo bem-estar dos animais representa uma reviravolta em sua história de vida. Atraído por genética molecular, sua carreira já estava encaminhada nessa direção. No terceiro ano da faculdade ele produzia uma iniciação científica sobre o tema, quando assistiu um vídeo denunciando as crueldades sofridas pelos animais de produção. A partir de então ele mudou todas as suas prioridades, tornou-se vegetariano e incluiu os animais nos seus objetivos.

O biólogo apresentou como Projeto de Conclusão Curso um vídeo sobre os modos de tratamento destinados aos frangos de corte. Este trabalho chamou a atenção dos responsáveis pela campanha contra o confinamento nos EUA que o convocaram para integrar a equipe como um dos gerentes de campanha junto com Cristina Yunes, bióloga de Santa Catarina.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Veterinarios na Estrada

Veterinária usa ‘jipão’ para fazer castração pelo interior de SP
Taxa de castração varia de R$ 25,00 a R$ 50,00.

O sonho de consumo da veterinária Amelia Margarido era um ter um jipão na garagem. No Dias das Mães do ano passado, ela se deu uma Land Rover de presente e pegou a estrada. Durante uma de suas viagens a mais de 100 km/h Amélia percebeu que, com um pouco de criatividade, poderia usar o carro para suprir a carência de atendimento veterinário em pequenas cidades do interior paulista, sobretudo aquelas em que a população não dispõe de nenhum veterinário nas proximidades.

Assim, surgiu o Veterinários na Estrada. Acompanhada de outros colegas de profissão, Amélia improvisa um consultório médico onde houver teto e parede. Se a cidadezinha visitada não tiver infra-estrutura, não tem problema, ela monta uma espécie de tenda, criada especialmente para ser usada com o jipão e onde há isolamento necessário para fazer as cirurgias de castração, sua principal propósito quando pega a estrada.

“Como o meu objetivo é ir aonde ninguém vai, não há a desculpa de que não tem um lugar adequado para fazer o atendimento. É como um hospital de campanha em situação de guerra: arma a barraca onde tiver espaço e pronto”, afirma a veterinária que já viajou para Joanópolis e Igaratá, no interior de São Paulo, e para Maresias, no litoral paulista. São Tomé das Letras, já em Minas Gerais, foi a cidade mais longe para a qual o jipão e a equipe de Amélia viajou.

“Na primeira vez que fomos lá, a gente não tinha nem energia elétrica”, relembra. O pré-atendimento era feito na rua e só as cirurgias eram feitas na cabana improvisada.

A última viagem dos veterinários foi para para Santa Bárbara, bairro rural de São Francisco Xavier, um distrito que fica a quase 60 km do centro de São José dos Campos e onde o aparelho celular fica sem serviço ou pega muito mal.

Mutirão da castração

A mobilização nas cidadezinhas visitadas começa muito antes do jipão chegar por lá, conta Amélia. Protetores de animais voluntários divulgam com antecedência o mutirão da castração e tentam conscientizar a população, tanto urbana como rural, da importância de esterilizar cães e gatos para evitar a superpopulação desses animais pelas ruas.

O principal empecilho para a adesão total da população é a cobrança de uma taxa para castrar os cães e gatos, que varia de R$ 25 a R$ 50, dependendo do animal. As voluntárias contam que o dinheiro é usado para cobrir as despesas com material cirúrgico, como lâminas, luvas, sedativo e seringa e esterilização.

“Nós pensamos no bem-estar animal e na saúde pública, porque um cachorro ou gato abandonado tem doenças e pode transmiti-las para qualquer pessoa”, diz a professora aposentada Glória Marczik, moradora de São Francisco Xavier e voluntária nos mutirões.

Em trabalho conjunto com a artista plástica Vera de Almeida, também moradora da cidade, Glória preenche o “livro de ouro”, onde mantêm o controle do dinheiro conseguido por meio de doações. Nesse caso, o dinheiro é usado para comprar materiais cirúrgicos e cobrir as cirurgias de castração em animais de quem não pode pagar.

“A gente faz de tudo e pede qualquer ajuda porque na zona rural há o hábito de castrar os animais a sangue frio, sem anestesia, e não há qualquer cuidado para evitar infecção”, conta Vera.

Mãos à obra


Na visita a São Francisco Xavier, a equipe comandada pela veterinária Amélia tinha uma lista com cerca de 70 animais para atender, entre cães e gatos. Os veterinários tiveram a sorte de contar com a infra-estrutura de uma escola desativada. Em uma sala eram realizadas as cirurgias e, em outra, ficava o atendimento pré-cirúrgico e o pós-operatório, onde os animais são mantidos ainda sedados.

Se o objetivo inicial é a castração, o exame clínico que antecede a cirurgia também serve para detectar outras doenças. Foi o caso de uma gata siamesa que chegou para ser castrada, mas se constatou que ela tinha parasitas subcutâneos maiores que um caroço de feijão.

Em um mutirão o trabalho não pára. A faxineira Ângela Maria Gomes chegou cedo para castrar a sua gata de estimação e os seis filhotinhos. “Eu falei para o meu marido para guardamos dinheiro, mas eu só consegui o suficiente para castrar a mãe e ia deixar os filhotes para depois. Mas me disseram que eu podia vir, porque se dava um jeito”, conta Ângela, que ainda parcelou a castração da sua gata Lili.

A técnica de castração usada pela equipe é conhecida como “do gancho”. A veterinária Amélia explica que essa técnica é menos invasiva pois faz uma incisão pouco maior que 1 cm, enquanto a castração convencional chega a fazer uma incisão de 10 cm. “É essencialmente técnica e precisa ter o dom da cirurgia, assim como se precisa ter um dom para escrever, atuar ou fotografar”, diz Amélia.


“A gente corta e invade o menos possível. É mais econômico para o veterinário e menos doloroso para o animal, que também se recupera mais rápido”, complementa a veterinária Anabela dos Santos, que ressalta ainda a necessidade de ser um procedimento menos invasivo pois a infra-estrutura costuma ser improvisada e o animal não terá o acompanhamento pós-cirúrgico.

Como o próprio nome diz, os Veterinários na Estrada precisam voltar para casa, em São Paulo, mas saem de cada cidade com a sensação de melhorar tanto a vida dos animais quanto da população local.

Fonte: G1