
EDUARDO OHATA da Revista da Folha
Por essa, nem os vilões mais temidos do universo esperavam. Até mesmo o super- herói mais famoso do mundo precisa de um bichinho. Durante décadas, o Super- Homem foi o único sobrevivente do planeta Krypton. Um solitário, sem ninguém para compartilhar suas experiências de voo, invulnerabilidade, visão de calor e outras "cositas". Até que entrou em cena Krypto, o supercão.
Isso foi em 1955. De lá para cá, o supercão chegou a ganhar desenho animado e uma revista em quadrinhos só com as suas aventuras. Depois de um período sumido, os roteiristas o devolveram às aventuras do homem de aço com um papel de destaque.
Não é preciso ter superpoder para ser um animal querido. Afinal, para você compartilhar sua noite de núpcias com alguém, além de sua noiva ou noivo, tem que ser alguém por quem se tem muito afeto. Foi o que aconteceu com o cavalo Herói e o lobo Capeto. Quando o Fantasma, o "espírito que anda", se casou com Diana Walker, os bichos acompanharam o casal a uma praia paradisíaca na noite de núpcias.
E a lista de animais nos quadrinhos é praticamente tão grande quanto a de protagonistas: Cebolinha e Floquinho; Tarzan e Chita; Aquaman e seus cavalos- marinhos gigantes.
Há alguns animaiszinhos que, de tão carismáticos, deixaram para trás o papel de coadjuvantes para ser estrelas de suas próprias aventuras. Snoopy é, talvez, o maior de todos os exemplos. Outros já nasceram com séries próprias, como o Pato Donald e o Mickey.
O homem mais rápido do mundo, The Flash, tem como um de seus mais perigosos adversários Grood, um gorila inteligente.
Um dos animais mais famosos foi Howard, o Pato, cujo criador, Steve Gerber, morreu no ano passado. Nos anos 80, Howard, que nos quadrinhos fazia uma crítica social, virou filme, no qual ficou com a mocinha no final! Durante a eleição presidencial de 1976, apuradores se depararam com muitos votos para Howard escritos à mão.
Um romance gráfico que tem animais como protagonistas teve a distinção de ser o único quadrinho a ganhar um Pulitzer. Trata-se de "Maus", no qual o autor, Art Spiegelman, reconta a história de seu pai, judeu, em uma Alemanha nazista. Os judeus são caracterizados como ratos, os nazistas, como gatos, e os poloneses, como porcos. O desenho ajuda a suavizar a trama, naturalmente bastante pesada.
Na linha de animais antropomórficos, há ainda o samurai-coelho Usagi Yujimbo e os ratinhos guerreiros de Mouse Guard, bonitinhos, mas muito violentos. Sem falar nas famosas tartarugas ninja, Michelangelo, Leonardo, Donatello e Rafael.
Filho único, Calvin, personagem da popular tira de Bill Waterson, tem como companhia constante o tigre Haroldo, com quem discute, briga, faz carinho e que o deixou desesperado por achar que o bicho tinha fugido. Na verdade, Calvin havia perdido Haroldo, já que se trata de um tigre de pelúcia, animado pela imaginação de seu arteiro dono.
Tudo bem, até mesmo o mais poderoso dos heróis, o Super-Homem, entenderia a necessidade de Calvin ter um bichinho.
terça-feira, 24 de março de 2009
Animais são fiéis companheiros também no mundo da ficção
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sábado, 21 de março de 2009
Diário de um cachorro
1ª semana:- Hoje completei uma semana de vida. Que alegria ter chegado a este mundo!
PRIMEIRO MÊS: Minha mamãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar!
2 meses:-Hoje me separaram de minha mamãe. Ela estava muito inquieta e, com seu olhar, disse-me adeus. Espero que a minha nova 'família humana ' cuide tão bem de mim como ela o fez.
4 meses:- Cresci rápido; tudo me chama a atenção. Há várias crianças na casa e para mim são como 'irmãozinhos'. Somos muito brincalhões, eles me puxam o rabo e eu os mordo de brincadeira.
5 meses:- Hoje me deram uma bronca. Minha dona se incomodou porque fiz 'pipi' dentro de casa. Mas nunca me haviam ensinado onde deveria fazê-lo. Além do que, durmo no hall de entrada. Não deu para agüentar.
8 meses:- Sou um cão feliz! Tenho o calor de um lar; sinto-me tão seguro, tão protegido... Acho que a minha família humana me ama e me consente muitas coisas. O pátio é todinho para mim e às vezes me excedo, cavando na terra como meus antepassados, como os lobos quando escondiam a comida. Nunca me educam, deve ser correto tudo que faço.!
12 meses:- Hoje completo um ano. Sou um cão adulto. Meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam. Que orgulho devem ter de mim!!
13 meses:- Hoje me acorrentaram e fico quase sem poder movimentar-me até onde tem um raio de sol ou quando quero alguma sombra. Apontam o dedo pra mim e dizem que vão me observar e que sou um ingrato. Não compreendo nada do que está acontecendo.
15 meses:- Já nada é igual... Moro na varanda. Sinto-me muito só. Sinto que minha família já não me quer! Às vezes esquecem que tenho fome e sede. Quando chove, não tenho um teto que me abrigue...
16 meses:- Hoje me desceram da varanda. Estou certo de que minha família me perdoou. Eu fiquei tão contente que pulava com gosto. Meu rabo parecia um ventilador. Além disso, vão me levar passear! Nos direcionamos para a rodovia e de repente, pararam o automóvel. Abriram a porta e eu desci feliz, pensando que passaríamos nosso dia no campo. Não compreendo porque fecharam a porta e se foram. 'Ouçam, Esperem!' lati... ei!!! esqueceram de mim... Corri atrás do carro com todas as minhas forças. Minha angústia crescia ao perceber que perdia o fôlego e eles não paravam. Haviam me esquecido.
17 meses:- Procurei em vão achar o caminho de volta ao lar. Estou e sinto-me perdido! No meu caminho existem pessoas de bom coração que me olham com tristeza e me dão algum alimento. Eu lhes agradeço com o meu olhar, desde o fundo de minha alma. Eu gostaria que me adotassem: seria leal como ninguém! Mas somente dizem: 'pobre cãozinho, deve ter estar perdido.'
18 meses:- Um dia destes, passei perto de uma escola e vi muitas crianças e jovens como meus 'irmãozinhos'. Aproximei-me e um grupo deles rindo, me jogou uma chuva de pedras 'para ver quem tinha a melhor pontaria'. Uma dessas pedras feriu-me o olho e desde então, não enxergo com ele.
19 meses:- Parece mentira Quando estava mais bonito, tinham compaixão de mim. Já estou muito fraco; meu aspecto mudou. Perdi o meu olho e as pessoas me mostram a vassoura quando pretendo deitar-me numa pequena sombra.
20 meses:- Quase não posso mover-me! Hoje, ao tentar atravessar a rua por onde passam os carros, um me jogou! Eu estava no lugar seguro chamado 'calçada', mas nunca esquecerei o olhar de satisfação do condutor, que até se vangloriou por acertar-me. Quisera que tivesse matado! Mas só me deslocou as cadeiras! A dor é terrível! Minhas patas traseiras não me obedecem e com dificuldade arrastei-me até a relva, na beira do caminho.. Faz dez dias que estou embaixo do sol, da chuva, do frio,sem comer. Já não posso mexer-me! A dor é insuportável! Sinto-me muito mal; fiquei num lugar úmido e parece que até o meu pelo esta caindo... Algumas pessoas passam e nem me vêem; outras dizem: 'não chegue perto'. Já estou quase inconsciente; mas alguma força estranha me faz abrir os olhos. A doçura de sua voz me fez reagir. 'Pobre cãozinho, olha como te deixaram',dizia... junto com ela estava um senhor de avental branco. Começou a tocar-me e disse: 'Sinto muito senhora, mas este cão já não tem remédio'. É melhor que pare de sofrer'.A gentil dama, com as lágrimas rolando pelo rosto, concordou. Como pude, mexi o rabo e olhei-a, agradecendo-lhe que me ajudasse a descansar. Somente senti a picada da injeção e dormi para sempre, pensando em *porque tive que nascer se ninguém me queria...*
Ajude a abrir a consciência dos ignorantes e, assim, poder acabar com os maus tratos aos animais, especialmente com o problema de cães de rua.
Postado por AgroSilva Rações às 14:38 0 comentários
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Velhinhos de quatro patas
Cães e gatos, assim como os humanos, vivem cada vez mais. Não é fácil para seus donos lidar com as mudanças de comportamento e com as doenças associadas à idade
Carolina Romanini e Roberta de Abreu Lima
Os animais de estimação alegram a casa, servem de companhia e, muitas vezes, preenchem lacunas afetivas de seus donos. Por isso mesmo tanta gente os abriga. Estima-se que haja atualmente no Brasil 31 milhões de cães e 15 milhões de gatos domésticos. Como esses animais vivem muito menos que o homem, quem os cria costuma estar preparado para o dia em que a amizade será interrompida. A novidade é que, nos últimos dez anos, a expectativa de vida de cães e gatos aumentou significativamente, graças à popularização das rações e vacinas e aos avanços na medicina veterinária. Uma década atrás, um cão de porte pequeno vivia geralmente até os 9 anos. Hoje, chega facilmente aos 15. Os cães de maior porte, por motivos de predisposição genética das raças, duram menos que os pequenos. Até dez anos atrás, viviam em média oito anos – agora, chegam aos 12. No caso dos gatos, a expectativa de vida dobrou. Antes viviam dez anos e hoje chegam aos 20. O resultado dessa sobrevida é que cães e gatos enfrentam uma velhice longa, com as previsíveis consequências – tornam-se propensos a desenvolver doenças como diabetes, insuficiência cardíaca, câncer e problemas ortopédicos. Repete-se com os animais o que ocorre com os seres humanos, que hoje vivem mais graças aos avanços da medicina, mas também estão sujeitos aos males da velhice.
Em geral, não é fácil conviver com totós e bichanos na terceira idade. Eles perdem a vitalidade e passam a não responder com a mesma animação aos chamados para passeios ou brincadeiras – o que é motivo de frustração para o dono. Pedem mais carinho e têm atitudes inesperadas, como fazer xixi em locais que antes sabiam ser território proibido para isso. "Os animais idosos ficam inseguros porque percebem que estão se distanciando de seus donos, como se estivessem passando para outra dimensão", diz a veterinária paulista Hannelore Fuchs, especializada em psicologia animal. Cães e gatos idosos também exigem uma série de cuidados especiais. A aposentada paulista Zilda Carolis levou para casa a pinscher Minnie quando ela tinha 25 dias. A cadelinha era sempre agitada e brincalhona. Tornou-se uma companhia importante quando o marido de Zilda morreu, doze anos atrás. Com o passar do tempo, Minnie foi perdendo o vigor. Hoje, tem 16 anos. Além de quieta, está cega, surda, corcunda e sem olfato. Para cuidar dela, Zilda precisa fazer alguns sacrifícios. Não dorme fora de casa e até deixou de viajar no réveillon para lhe fazer companhia. Dorme com ela num colchão no chão e esforça-se para fazer com que se alimente – o que inclui preparar um cardápio variado diariamente e levar-lhe comida à boca. "Quero dar a ela todo o conforto possível nesta fase da vida", diz Zilda.
Um cachorro torna-se idoso quando atinge 75% de sua expectativa de vida, conta que varia de acordo com a raça. Cães de porte pequeno, como o poodle, são considerados idosos a partir dos 9 anos. Os de tamanho médio, como o cocker, a partir dos 8. Cães grandes, como o labrador e o boxer, já são idosos aos 7 anos. No caso dos gatos, cuja diferença de tamanho entre as raças não é significativa, todos são considerados idosos a partir dos 8 anos. Um fator determinante na expectativa de vida dos gatos é o ambiente em que vivem. Em geral, gatos não gostam de grandes áreas ao ar livre. Os que são criados em ambientes fechados e protegidos tendem a viver mais. A dona-de-casa Vania Rombauer, carioca de 57 anos que mora há sete em Curitiba, é apaixonada por gatos desde a infância. Integrante de uma ONG que ajuda a castrar os bichanos, ela conta com a companhia de seis deles em casa. Samantha é a mais velha, com 16 anos. A gata enxerga muito pouco e com um olho só. Costuma se perder pela casa e, nesses momentos, Vania precisa socorrê-la. Ela diz que teve outros gatos idosos que davam ainda mais trabalho. "Já deixei de viajar por causa dos meus gatos, mas não me arrependo", conta.
A maior incidência de doenças nos animais de estimação aumentou a demanda por recursos para tratá-los. Já existe no Brasil uma bateria de exames laboratoriais e de imagem, além de técnicas cirúrgicas, especiais para cães e gatos. "Há tratamentos considerados modernos até para seres humanos que já são oferecidos aos animais, como o ultrassom com imagens em 3D", diz o veterinário Mário Marcondes, diretor-geral do Hospital Veterinário Sena Madureira, de São Paulo. Marcondes calcula que o atendimento a animais idosos no hospital tenha aumentado 30% nos últimos anos. Um animal de estimação idoso precisa fazer exames rotineiros e visitar frequentemente o veterinário. Se fica doente, os custos para o dono aumentam de forma exponencial. Foi o que aconteceu com Melanie, uma golden retriever de 12 anos. Seu dono, o economista carioca Diogo Thaumaturgo Aguiar, de 30 anos, conta que a cadela sempre teve saúde delicada – toma remédios para controlar a epilepsia desde os 3 anos. Depois de ela completar uma década de vida, seu estado piorou e os gastos de Aguiar com seu tratamento passaram de 200 para 800 reais por mês.
Melanie atualmente toma remédios para reumatismo, otite e hipotireoidismo, além de Gardenal, para a epilepsia. Também toma um complexo vitamínico para a pele, pois sofre de queda de pelos, e cortisona. Faz ainda quimioterapia para tratar um tumor na cabeça descoberto no ano passado. A lista de cuidados com Melanie inclui exames de sangue mensais e de ressonância magnética semestrais. "Melanie é como uma criança. Não pode ficar sozinha e precisa de cuidados o tempo todo", diz Aguiar. Os donos de animais de estimação sofrem com a ideia de sua morte na mesma medida em que se esforçam para lhes proporcionar uma boa velhice. Alguns centros veterinários chegam a dispor de psicólogos para ajudá-los a superar o trauma quando o animal está desenganado. Nesse momento, é comum dizerem que nunca mais vão ter um cachorro ou um gato. A promessa só dura, em geral, até depararem com um filhotinho fofo clamando por cuidados e atenção.
Postado por AgroSilva Rações às 09:18 0 comentários